Inteligência Analítica

O-VALOR-POR-DETRÁS-DO-DADO-BRUTO

Atualmente muito se ouve falar em inteligência de mercado, análise setorial, valor da informação. Quem tem maior conhecimento sobre o andamento do seu negócio e os passos dos seus principais concorrentes sem dúvidas sai à frente num mercado cada vez mais competitivo.

Seja lá qual for o segmento, hora ou outra bate à nossa porta um novo lançamento, uma nova tecnologia, uma nova metodologia ou mesmo uma nova regulamentação que nos faz pensar: qual é o reflexo disso sob o meu negócio?

A fim de se preparar para todas essas mudanças cada diretoria de uma empresa passa a comprar relatórios setoriais e contratar assessores de imprensa. Cada diretoria toma a iniciativa de criar planilhas de controle e registrar todo e qualquer dado (para poder comparar indicadores e traçar e metas de longo prazo) que, no final, acabam se perdendo em meio a tantos registros.

Pergunto-me: do que adianta a capacidade de acumular informações se pouco conseguimos fazer com elas? Será que extraímos tudo o que estas informações são capazes de nos mostrar? Será que temos capacidade de ler o que está nas entrelinhas dos nossos principais indicadores pelo menos?

Trabalhando há bastante tempo com análise de dados posso responder que não. Pelo menos não tanto quanto se é possível.

Não é incomum, por exemplo, encontrar com equipes comerciais que não se dão conta de como características como tendência ou sazonalidade podem explicar o comportamento de suas vendas ou empresas que não conseguem entender de onde vem o volume de não conformidades, reclamações ou autuações legais a que seus produtos são submetidos e se esquecem que o olhar mais minucioso para os registros da sua própria linha de produção podem ter essas respostas e, algumas vezes, até a solução para o problema.

Quer outro exemplo?

Hoje em dia, felizmente, há informações disponíveis – em abundância – para serem conhecidas, analisadas, avaliadas e até confrontadas com outras. Em paralelo, os nossos clientes ou consumidores têm cada vez mais acesso a estas informações e, por isso, maior embasamento para formar (e mudar) de opinião.

Ainda assim, existem gerentes de produto ou de marketing que acreditam conhecer a fundo os seus consumidores. Acham que um produto tem público específico, qualquer coisa fora disso é “acidente” e se despreza características comportamentais que, muitas vezes, moldam suas escolhas por este ou aquele produto, esta ou aquela embalagem, esta ou aquela forma de apresentação.

A aplicação de metodologias específicas – modelos matemáticos, soluções estatísticas e ferramentas da qualidade, por exemplo – certamente cercam essas, e outras, lacunas presentes no processo de análise de dados.

Analisar dados e gerar relatórios que sirvam como apoio à tomada de decisão demanda mais do que cálculos de média e percentual, nossos e de nossos concorrentes. Analisar dados pede testes de hipóteses, análises de segmentação e correlação, mapeamento dos processos e projetos six sigma (com análise de causa e efeito e execução de experimentos).

Decisões tomadas a partir de resultados gerados com embasamento técnico e teórico facilitam o caminho para consenso entre equipes com diferentes interesses e são, sem dúvida, mais confiáveis, pois não são influenciadas pela intuição, experiência ou otimismo do gestor.

Daniela Benetti Pelagalo
Diretora de Inteligência Analítica
Gauss Consultores Associados Ltda.