Pensar com isenção de emoções e principalmente sem tendências para este ou aquele partido ou pessoa é fundamental neste momento. É muito importante que você se isole (também) das influências externas e simplesmente reflita sozinho, com suas próprias convicções e com as informações que estão cada vez mais disponíveis nos órgãos oficiais (brasileiros e mundiais).

Vou fazer isto em voz alta, por meio deste artigo, para que você possa acompanhar meu raciocínio e, quiçá, lhe ajude a estimular suas próprias reflexões. Não quero, com minha reflexão em voz alta, que seja considerada uma verdade absoluta nem tampouco preconizar o melhor caminho a ser seguido pelo Brasil e pelo mundo. Quero apenas refletir em voz alta e compartilhar esta reflexão com quem quiser acessá-la, sem nenhum outro objetivo mais específico.

Neste momento encontro-me extremamente dividido entre dois posicionamentos, a saber:

1-) Especialistas da área da saúde e adeptos destes que, quase em uníssono e representados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), manifestam que trata-se de uma das maiores e mais sérias pandemias já vivenciadas pelo mundo, não com impactos na letalidade das pessoas (pois todos assumem que, de longe, não refere-se a uma letalidade percentualmente significativa se comparada a outras causas de morte, cerca de 1,5% dos infectados e ainda restritos a um grupo de risco que resume-se em idosos e àqueles com doenças pré-existentes como cardiopatias, diabetes, hipertensão, etc.), mas no impacto não passível de ser administrado com rapidez uma vez que a infraestrutura do sistema de saúde mundial entraria em colapso por não deter de respiradores suficientes para ser utilizado num contingente de doentes graves que só sobreviveriam se submetidos a respiração mecânica. O risco (ou certeza) de não haver respiradores e infraestrutura de UTI nos hospitais para administrar aos doentes com sérios impactos em seus pulmões exigiria uma decisão pavorosa, a de termos que escolher quem sobrevive e quem morre numa circunstância de ter que administrar o recurso de infraestrutura escasso (eterno dilema econômico);

2-) De outro lado temos os capitalistas de plantão e seus adeptos alertando que, se os cuidados de reclusão e isolamento social forem mantidos por muito tempo (mais de 30 dias), inviabilizarão completamente o giro da economia com impactos de proporções alarmantes na mesma sobrevivência das pessoas, agora em muito mais que 1,5% dos infectados, mas em percentuais muito maiores e agora relacionados a quaisquer cidadãos que estejam inseridos na população economicamente ativa e/ou seus dependentes. Defendem que o isolamento total e preliminar, principalmente nesta etapa de início do contágio popular (aquele contágio sem que tenha havido contato com pessoas sabidamente infectadas de outros países) é pertinente e adequado, mas com data não superior a 30 dias para acabar, e qualquer coisa diferente disto tratar-se-ia de uma “histeria” que não se justifica. Depois de certo período, o mais adequado talvez fosse isolar apenas o grupo de risco e não a população como um todo, permitindo assim que a economia voltasse a funcionar e evitasse a colapso agora econômico, tão mortal como o colapso nos hospitais, mas em proporções muito maiores.

Refletindo em voz alta, repito, não consigo deixar de considerar ambas as abordagens como relevantes e verdadeiras, embora conflitantes na necessidade de termos que adotar apenas uma delas, pois creio que não haja nada a ser feito que possa privilegiar ambos os posicionamentos, que seria o ideal. Parece que, se adotarmos a recomendação dos técnicos da saúde (e seus adeptos) ficaremos reclusos por muito mais que 30 dias, realmente prejudicando de forma ímpar e sem precedentes a economia mundial com mortes muito cruéis, mas, em contrapartida, se adotarmos a recomendação dos capitalistas de plantão (e seus adeptos) retornando as atividades depois de um certo tempo determinado de isolamento social (30 dias, no máximo) o sistema de saúde entrará em colapso inevitavelmente e a pavorosa decisão de ter que decidir quem vive e quem morre se tornará iminente.

Esta parece ser a grande decisão a ser tomada: Ou nos isolamos e paramos totalmente pelo tempo que for necessário, e quebramos economicamente, ou voltamos a ativa depois dos cuidados possíveis e temporários (com data de fim) e administramos o caos no sistema de saúde por algum tempo.

Ambas as decisões gerarão impactados e mortes. A dúvida é qual decisão incorrerá em menor impacto e esta interpretação nunca obterá consenso, pois me parece uma tarefa inglória pedir licença para matar um familiar querido ou desculpas pelo mesmo motivo.

Esta circunstância me lembra os tempos de guerra, onde a melhor decisão seria não haver a guerra propriamente dita, evitando suas causas, mas em já estando em estado de guerra, nossa situação atual, a decisão parece ter sido ao longo da história matar o menor contingente possível de pessoas, o que nunca de fato aconteceu, ou seja, todas as mortes de um ambiente de guerra seriam evitáveis se a guerra não fosse deflagrada. Vejo poucas iniciativas de descobrir as causas da pandemia, que se não forem conduzidas e rápido, teremos o COVID-19 apenas como o vírus da vez, com muitos outros a nos impactar daqui em diante, pois é o que tem acontecido já faz algum tempo!

Minha premissa, nem quero admitir em ser utópica, tende a pensar num híbrido das duas destacadas acima, ou seja, manter o isolamento social por um determinado tempo (as autoridades teriam mais dados para definir quanto tempo é o limite que suportaríamos, e talvez este tempo limite seja diferente de local para local) e enquanto isto, nos mobilizássemos de forma ímpar, como nunca antes se vira, para nos equiparmos de infraestrutura (respiradores e outros equipamentos necessários) para poder administrar os casos mais graves da doença. Claro que mesmo assim teremos mortes, que sempre é um caos admitir, mas também muitas vezes inevitável.

Enfim, pensei alto, como disse desde o início. Tira suas próprias conclusões ou, melhor ainda, não tire conclusão nenhuma e apenas pense consilientemente!