São Paulo hospeda hoje a maioria das empresas exemplares do país, segundo o IPEG – Instituto Paulista de Excelência na Gestão – por causa do nível de desenvolvimento da economia do Estado. Porém, ainda há muito o que fazer para melhorar a competitividade das organizações paulistas, tanto pelo lado das empresas quanto pelo lado do governo. As PMEs estão em situação mais preocupante, pois elas compõem a cadeia de fornecimento das grandes, geram a maioria dos empregos, mas, no entanto, mantêm poucos investimentos em melhoria da gestão.

“Do lado do governo, é necessário aumentar muito a eficiência da máquina pública, de forma a converter impostos de primeiro mundo em serviços de primeiro mundo, facilitando a vida das empresas privadas. Para isso, é fundamental melhorar a qualidade da gestão pública”, diz Carlos Schauff, diretor do IPEG, membro da Banca Examinadora do PNQ desde 1994 e consultor do Banco Mundial. “Do lado das empresas privadas, ainda não conseguimos disseminar a cultura da excelência em gestão por todo o Estado. A situação da gestão paulista pode ser considerada carente, principalmente entre as pequenas e médias empresas (PMEs). Poucas são as exceções”, complementa.

Situação da Gestão Pública – Administrar não é liderar

Há uma grande falta de liderança de gestores públicos. Administrar não é liderar. Em geral, o gestor público administra, não lidera. Quantas repartições, autarquias e empresas públicas possuem um sistema de liderança voltado ao engajamento e busca de resultados, com foco no cidadão cliente? Muito poucas.

Situação da gestão privada

As grandes empresas possuem a gestão em variados graus de maturidade, mas em geral dão mais importância em melhorá-la continuamente, ainda que de forma lenta. Atualmente um pequeno número de grandes empresas do Estado já é considerado em nível classe mundial com base em métricas internacionais.

Situação das PMEs

As quatro principais lacunas de base dessas organizações podem ser resumidas assim:

1) Sistema de liderança é pouco compreendido e por isso funciona por acaso. A nova liderança pressupõe três principais vetores de atuação nesse sistema: incorporação de valores & princípios de sustentabilidade, que inclui a ética, sistema de engajamento com foco em resultados e competência pessoal de líderes.

2) A melhoria da gestão não é prioridade nas PMEs (ainda que nem em muitas grandes empresas). As empresas têm dificuldade em entender a gestão como processo que deve ser melhorado continuamente, sem esperar a próxima crise. O sistema de gestão, que rege todas as operações, costuma ser extremamente reativo nessas empresas, impondo um severo ônus às operações por causa de falhas de gestão, de tomada de decisão.

3) O planejamento estratégico é inexistente. A crise tende a fazer as empresas a reagir a problemas e pensar no dia seguinte, na sobrevivência. A verdade é que a crise é um sinal de que o Brasil e o mundo estão mudando e isso deve ser considerado também para a sobrevivência no longo prazo.

“As PMEs precisam de um sistema de gestão simples e enxuto, que não gerem custos, porém completo. Elas não têm escala para sistemas de gestão sofisticados. Por exemplo, um plano de carreira numa PME deve caber numa folha de papel e não num Manual”, diz Carlos.

(Redação – Agência IN)

Fonte: http://www.investimentosenoticias.com.br/noticias/negocios/como-esta-a-situacao-da-gestao-das-empresas-paulistas