É essa mesmo a pergunta. Se cada um de nós acaba adotando algum referencial para submeter-se durante a vida, qual seria este referencial para as pessoas jurídicas?

Sempre achei esta uma reflexão importante demais para ser negligenciada. Os cristãos adotam a bíblia como livro da vida, outros adotam o alcorão como sendo mais aderente ao correto, alguns adotam os veda como norte orientativo, os espíritas adotam o evangelho segundo o espiritismo, mas o fato é que as pessoas acabam adotando algum “livro da vida” (ou alguns “livros da vida”) para orientar uma existência virtuosa e exemplar, as vezes caracterizando esta escolha como o parâmetro para o exercício de sua religiosidade. Mesmo os agnósticos e ateus detém de algum nível religiosidade e adotam seus próprios “livros da vida” alternativos, só não se submetem a nenhuma religião , uma vez que não as considera capaz de representar suas premissas.

Como heutagogista (conceito de aprendizagem auto direcionado em que a própria pessoa é o gestor e programador de seu próprio processo de aprendizagem através do autodidatismo, autodisciplina e auto organização) das circunstâncias que afetam as pessoas jurídicas, permeadas em seu interior de pessoas físicas, norteio minha existência para explorar ambas as circunstâncias que fazem estas “pessoas” melhores ao longo do tempo.

No âmbito de melhorar as pessoas físicas (força de trabalho de quaisquer pessoas jurídicas) meu estudo é permeado de mais de 25 cursos de especialização em ciências do comportamento tendo culminado com uma pós-graduação em medicina comportamental e gestão da mudança com foco no ser humano. Estes conhecimentos me empurraram a fundar a Olho de Tigre em 2000, uma empresa focada em desenvolver o ser humano contribuindo assim para a mudança da cultura organizacional (www.olhodetigre.com.br).

No âmbito de melhorar as pessoas jurídicas, meu estudo é mais formal, acumulando pós-graduação em economia e administração industrial, dois mestrados em administração com foco em transformação organizacional, diversas certificações profissionais em temáticas diversas e muita experiência na avaliação de organizações (públicas e privadas) no nível de maturidade de sua gestão. Esta paixão, percebida e decidida já na época da puberdade, preparou-me para fundar, em 1990, a Gauss Consulting Group (www.gaussconsulting.com.br).

Mas meu foco neste artigo é tergiversar sobre a necessidade da empresas (pessoas jurídicas) serem inspiradas pelas práticas de religiosidade (não de religião, pois são conceitos muito diferentes) das pessoas físicas. Desde muito cedo a biologia fornece conhecimento que inspiraram a ciência da administração de empresas, o que se pode constatar facilmente quando adotamos no mundo corporativo a terminologia “órgão” para representar fragmentos departamentais do design da estrutura organizacional, fazendo clara alusão aos “órgãos” da fisiologia do corpo humano.

Uma organização que não adotou seu “livro de referência” (ou seus “livros de referência”, no plural) com requisitos que reflitam a exemplaridade com foco na primazia de sua gestão é como se fora uma empresa pagã, sem orientação clara de qual pressuposto se submeter, ou ainda se considerando adepto somente aos seus próprios pressupostos.

Nada contra seus próprios pressupostos, podem até ser exemplares também, mas o que tenho percebido em minha jornada de mais de 30 anos, e principalmente na atual conjuntura com as tendências do século XXI, são as “vaidades”, as “presunções” e até algum tipo de “patologia” das lideranças é que tem assumido o controle na gestão organizacional. A ausência desta espécie de “bíblia” própria para as pessoas jurídicas (sem desmerecer qualquer tipo de outro título que possa ser dado ao livro da vida de quaisquer pessoas) faz com que as organizações fiquem reféns dos maus tratos de suas lideranças, gerando impactos nocivos demais a todas as partes interessadas.

Configura negligência deixar de pesquisar e adotar algum tipo de “bíblia” norteadora orientada a primazia da gestão da pessoa jurídica e que seja aderente as suas características mais fundamentais de operação. Caracteriza imprudência seguir apenas seu próprio feeling e tornar a gestão algo muito personalizado com a cara somente de seus líderes (a gestão precisa vencer o gestor). É imperícia fazer vista grossa a esta tendência com tantos referenciais que se agigantam neste momento. Os clientes e demais partes interessadas cometem iligendo (contratação sem a competência necessária) e invigilando (deixar de vigiar a submissão as melhores práticas) quando compram de empresas que não relatam seus referenciais de exemplaridade orientados a primazia da gestão. Negligência, imprudência, imperícia, iligendo e invigilando são palavras que são considerados suficientes para o rótulo de crimes culposos, que é que podemos estar incorrendo com as organizações que não adotam algum tipo de referencial como sua “bíblia” da pessoa jurídica.

Mais qual ou quais referenciais podemos adotar? Esta é uma outra pergunta difícil de responder, além de polêmica, uma vez que existem um sem número de normas, cada uma com um foco, disponíveis no mercado e que, infelizmente, asseguram um mercado nefasto de acreditação para quem se considera aderente a seus requisitos. Ou você é certificado por algum organismo acreditado, o que lhe custa algo que as vezes não agrega valor, pois tem-se que pagar para alguém acreditar que você é adeso a esta ou aquela norma. Uma deformação clássica que não cabe mais, na minha parca opinião.

Somos absolutamente a favor de quaisquer normas, mas somos absolutamente contra que alguém tenha que pagar para gerar uma confiança (acreditação) de que uma empresa esteja aderente a algum referencial por meio de algum processo de certificação. Como já dissemos em outros artigos, defendemos a “Auto Declaração de Conformidade” (também tratada por meio de uma norma já publicada) e, no máximo, contratação de diagnósticos (não auditorias) para se reconhecer o nível de completude em relação ao referencial ou referenciais de exemplaridade formalmente adotados, incluindo possibilidade de comparações entre as organizações que se submetem ao referencial adotado.

Alinhado a esta premissa que este artigo defende, nós da Holding Pavani (marca administradora oficial da Gauss Consulting Group e da Olho de Tigre) lançamos em fev/2020 os REPG – Referenciais de Exemplaridade da Primazia da Gestão, um documento gratuito que pode ser baixado agora mesmo (saiba mais) e que configura uma alternativa inovadora e alinhada aos pressupostos do século XXI de referencial de exemplaridade orientado a primazia da gestão, focado especificamente as empresas (públicas ou privadas) que prestam algum tipo de serviço ao público (embora possa ser adaptado para quaisquer tipo de organizações).

Os REPG contemplam em seus requisitos mais de 21 normas de sistemas de gestão, valoriza os impactos ambientais e sociais decorrentes dos processos organizacionais das empresas incluindo os 17 ODSs, contempla a autogestão holacrática através da liderança transformacional, aborda a transformação digital e a inteligência artificial, prioriza as estratégias com foco na inovação e em modelos adaptativos (manifesto ágil), repensa o forma de fazer gestão de pessoas, reconsidera o lucro como premissa fundamental, altera o processo decisório através do conceito de consentimento, reconstrói os métodos de gerenciamento por indicadores e análise crítica decorrente, reinventa a forma de praticar o verbo vender, enfim oferecem referencias de exemplaridade diferentes de muita coisa que se praticava no século passado. Você precisa conhecer os REPG, no mínimo, para saber se pode ser um dos referenciais que sua empresa poderia adotar.

Não queremos ser o único referencial disponível no mercado, nem mesmo ser o mais completo ou abrangente, mas queremos sim merecer o benefício da dúvida para poder reconhece-lo e estudá-lo mais profundamente e, quem sabe, nos candidatar a ser uma das “bíblias” da sua pessoa jurídica. Esta é a nossa pretensão. Existe um curso de Formação de Praticantes dos REPG formado por 75 horas divididos em duas trilhas, a saber:

Trilha de Requisitos (18 horas de aula divididos em 6 videoaulas de 3 horas cada) totalmente gratuita onde explicamos todos os requisitos e porque eles são tão importantes e diferentes dos demais referenciais de exemplaridade. Solicite acesso as videoaulas desta trilha por 30 dias gratuitamente;

Trilhas de Especialização (57 horas de aula divididos em 19 videoaulas de 3 horas cada) onde existem 6 cursos distintos que detalham a Metodologia Gauss para implementar as temáticas de: Gestão por Processos e Jornada do Cliente; Arquitetura Estratégica orientada a Inovação; Holacracia e Liderança Transformacional; Cultura Organizacional; Estruturação de Indicadores e Análise Crítica e Gestão de Vendas Complexas. Saiba mais como comprar as Trilhas de Especialização.